Uma mulher inspiradora

05/02/2019

Uma mulher inspiradora

Zootecnista, produtora rural, professora universitária, atleta e, acima de tudo, uma mulher pioneira. Filha de produtores rurais, Maria Iraclézia de Araújo nasceu no sertão do Ceará e morou no campo até os 14 anos. Ela foi a primeira mulher a se formar na Escola Agrotécnica Federal de Iguatu, como Técnica em Agropecuária.

Mas foi em 2007 que Iraclézia escreveu seu nome na história do agronegócio, quando venceu a eleição para a presidência da Sociedade Rural de Maringá. Foi a primeira vez que uma mulher conseguiu tal feito. Atualmente, ela está em seu terceiro mandato.

Recentemente, recebeu os prêmios “Mulheres Inspiradoras”, na categoria Agronegócio, e o Prêmio ACIM Mulher 2019, oferecido pelo Conselho da Mulher Empresária e Executiva.

Confira a entrevista que fizemos com Maria Iraclézia, uma mulher que inspira muitas outras através de seu trabalho e sua história.

Como é para você ser a primeira mulher a presidir uma sociedade rural no Brasil?
Na época, quatro pessoas foram indicadas ao cargo. Eu já tido a experiência como Diretora da Sociedade Rural Jovem de Maringá, mas nunca imaginei que poderia vencer a eleição. Eu era a única representante do sexo feminino. Na minha cabeça, era impossível que pudessem votar numa mulher. E, para a minha surpresa, fui a mais votada. Foi sempre uma honra muito grande. Afinal, não fui colocada no cargo. Foram as pessoas que votaram em mim, elas me escolheram.

Você enfrentou muitas dificuldades por ser mulher?
Eu enfrentei sim. Mas como venci a eleição com uma margem boa acabei ganhando credibilidade dentro da minha instituição. Isso ajudou muito. Porém, com outras entidades tive alguns problemas. Eu chegava em outra cidade para uma reunião e eles não acreditavam que a presidente era eu. Tinha muita desconfiança e preconceito. Mas, felizmente, no meu ambiente sempre fui muito respeitada.

É verdade que você também foi pioneira no esporte?
Verdade! Meu pai tinha cavalos de corrida e, por isso, cresci nesse ambiente. Quando cheguei em Maringá, foi natural que eu me interessasse pelo esporte. O problema é que na época não existia nenhuma modalidade feminina na equitação. Ainda bem que depois de um tempo isso mudou e acabei sendo a primeira mulher a competir numa prova de quitação rural na cidade.

Fale um pouco da sua experiência na política
Fui candidata a prefeita em Maringá, mas sabia que não tinha chances, pois o cenário era extremamente polarizado. Apesar disso, acabei terminando em quinto lugar, mesmo sem quase nenhum dinheiro investido. Além disso, fui Secretária de Esportes e Lazer na gestão do prefeito Carlos Pupin (PP). Acredito que foram experiências muito válidas. Percebi como é importante participar ativamente da política partidária. Conheci muito melhor o ser humano.

Qual é a importância de um evento como o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio?
O CNMA é um divisor de águas por poder levar informações a mulheres que muitas vezes não teriam acesso a elas. Hoje, a gente participa do evento e entende muito melhor como é a atuação das mulheres de todo o Brasil. Amo participar do painel “Mulheres Inspiradoras”. A organização está de parabéns!

Como você vê o papel da mulher no agronegócio atualmente?
Eu vejo com muito otimismo. Eu vejo uma evolução, um crescimento. Eu acredito que não precisamos provar nada a ninguém, mas entendo que temos uma habilidade enorme de mostrar para nós mesmas que somos capazes. E queria deixar uma coisa bem clara: o movimento das mulheres do agro não é uma moda, algo que logo vai passar. A atuação das mulheres vem de longe e é algo que foi conquistado, com muita luta e suor. É muito importante ter consciência disso.

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