Cadeia vegetal brasileira é fundamental para a alimentação do mundo

28/10/2022

Cadeia vegetal brasileira é fundamental para a alimentação do mundo

Palestrantes do 7º CNMA debateram a crescente demanda por alimentos e a pressão para a produção agropecuária

Como produtora não somente de alimentos, mas de uma gama de produtos e subprodutos que se destinam desde à nutrição animal até ao abastecimento de veículos, a cadeia vegetal brasileira tem a importante missão de elevar sua produtividade de forma sustentável, com o apoio de todos os elos desse segmento e a intervenção tecnológica.

Este debate foi moderado pela jornalista Lilian Munhoz, e envolveu o Vice-Presidente de Marketing e Vendas para América Latina da John Deer), Antônio Carrere, o Superintendente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO), Júlio Minelli, o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Francisco Matturro, o Diretor-Executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Glauber Silveira, o Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (FAMATO, Normando Corral, e o Presidente-Executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa.

Carrere destaca que existe uma fórmula para o futuro, pautada no desenvolvimento tecnológico do ambiente rural. “A tecnologia no campo é a chave para os próximos anos no Brasil e a América Latina como um todo. O mundo precisa de mais alimentos, mais grãos. Elevar o uso de tecnologia significa promover o crescimento da produção e, simultaneamente, da preservação ambiental”.

Nesse sentido, como avalia Júlio Minelli no caso dos combustíveis, o Brasil tem uma grande oportunidade de se destacar na produção de soluções mais limpas e amigáveis com o meio ambiente. “Hoje, 22% do diesel no País é importado, sendo que 53% da capacidade total das usinas de biodiesel está ociosa. Esse combustível é proveniente da transformação em energia de produtos que são mais facilmente descartáveis. Por isso, é importante retomar as políticas de estado para avaliar todas as vantagens do biocombustível, sem pensar apenas no preço da bomba, mas também em saúde e no meio ambiente”.

Para Francisco Matturro, o próximo governo do estado de São Paulo deve ter como prioridade olhar do solo para frente, focando nas pesquisas agropecuárias para garantir um futuro próspero para a cadeia produtiva. “São Paulo avança na preservação, mas ainda temos espaço para crescer. Atualmente, 67% do solo paulista apresenta deficiência de calcário, o que significa que a terra apresenta um teor elevado de acidez e menor disponibilidade de nutrientes. Por isso, deixamos um plano de ação para o sucessor ao governo do estado, pautado em pesquisas, para que eles possam olhar para o solo e as consequências que sua qualidade exerce sobre toda a cadeia”.

Tendo em vista a necessidade de elevar a produção de alimentos e a importância do milho nesse processo, Glauber Silveira aposta na união de todo o setor agropecuário para atingir esse objetivo. “Nos próximos 28 anos, precisamos produzir 70% mais de alimentos, no caso do milho, 800 mil toneladas a mais. O Brasil tem a capacidade de produzir 70% disso. Por isso, devemos focar na produção e produtividade a partir da tecnologia e da agregação de valor. Isso começa desde as lavouras, não só com homens, mulheres, mas com famílias, avós, avôs, filhos e netos na agricultura. Milho é uma grande oportunidade para o Brasil”.

A cadeia vegetal brasileira, segundo Normando Corral, tem importante papel para resolver a questão de falta de alimentos no mundo, influenciada pelas consequências da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia. “A nossa produção agropecuária é de sucesso, pois ela soma talentos, proposta e oportunidade. O Brasil tem toda a capacidade e potencial em seu campo para contribuir com a alimentação do planeta”.

Já Rubens Barbosa reforça o posicionamento do País como produtor agrícola e avalia a situação do trigo nesse contexto. “O Brasil é o terceiro maior produtor agrícola do mundo. Com a situação atual do mundo, os preços subiram e isso estimulou a produção interna. No que se refere ao trigo, ainda importamos 60% do total que consumimos. A Abitrigo trabalha numa atualização da Política Nacional do Trigo, com o objetivo de abreviar o período de dependência do mercado externo do cereal. Para isso, vislumbramos oportunidades e investimentos, para que novos moinhos e novos produtos surjam no País”, conclui.