Planejamento e diálogo: elementos fundamentais para o êxito de gestões e sucessões

28/10/2022

Planejamento e diálogo: elementos fundamentais para o êxito de gestões e sucessões

Empresas do agro se estruturam para que as novas gerações das famílias, incluindo as mulheres, assumam posições de liderança

Os resultados de produção agropecuária dependem de inúmeros fatores, tais como insumos, frete, armazenagem, mão de obra, entre outros. Entretanto, a gestão ainda se configura como uma peça fundamental para o êxito dos negócios neste segmento, principalmente no que se refere às novas gerações do agro, em especial as mulheres, que estão assumindo cargos de liderança em processos de sucessão familiar.

Este foi o tema de discussão entre a integrante do Conselho Holding da Jacto, Alessandra Nishimura, a Diretora de Recursos Humanos LATAM da FMC, Maria Lucia Murinelli, a sócia e Head de Wealth Planning da Monte Bravo, Marina Gonçalves, e a Head Rural do Rabobank, Pollyana Saraiva. O debate foi moderado pela Diretora VP de Recursos Humanos da Lavoro, Karen Ramirez.

Participante do processo de sucessão familiar da empresa Jacto, Alessandra Nishimura destaca o diálogo como elemento crucial para esse momento de transição. “O desafio para uma boa sucessão é aprender a conduzir as conversas difíceis. Esse foi o grande aprendizado que recebi da empresa em que meu avô demitiu meu pai, seu próprio filho. Foi uma situação bem delicada, mas que foi resolvida. Por isso, acreditamos no diálogo, temos acordos relacionais e bons aprendizados com a nossa história”.

Maria Lucia Murinelli acredita que a distinção de papeis entre herdeiros e sucessores é importante para processos de transição de gestão em um grupo familiar. “Considero a sucessão como o principal dos desafios de uma empresa, seja ela da cadeia produtiva ou não. Buscar o auxílio de uma consultoria especializada é uma boa prática para evitar o ‘improviso’ nesse processo e diferenciar as funções de sucessores e herdeiros. Em relação às mulheres, percebemos o aumento da liderança feminina em alguns setores, mas ainda é preciso dominar outras áreas de frente”.

A criação de uma holding familiar é uma estratégia para facilitar a sucessão em uma empresa. Segundo Marina Gonçalves, ela pode trazer benefícios para o processo. “Partindo de uma avaliação para entender se o cliente tem a necessidade de uma holding, ela apresenta vantagens na questão da governança, em primeiro lugar, e na redução da tributos de sucessão para a segunda geração que está assumindo a gestão. A holding analisa todos os aspectos e ajuda na estruturação jurídica no processo de transição”.

Para Pollyana Saraiva, o planejamento e o pilar de sustentação da sucessão familiar em uma organização. “Falar de sucessão dentro da porteira é importante, pois indica que a empresa pensa na sua longevidade. Nesse sentido, não podemos conduzir esse processo sem planejamento, no que se refere à organização dos números e da governança da família, por exemplo. Ainda vejo poucas mulheres participando dessa transição nas fazendas que visito. Reforço a importância de que elas participem das reuniões de negócios para se habituarem cada vez mais às tarefas que as esperam”, finaliza.