“De Norte a Sul: percepções sob o olhar delas” traz um recorte da realidade nas cinco regiões do Brasil

12/04/2023

“De Norte a Sul: percepções sob o olhar delas” traz um recorte da realidade nas cinco regiões do Brasil

De Norte a Sul, o Brasil enfrenta seus desafios, mas também apresenta muita coisa boa. E quando falamos sobre agro e mulheres, você sabe identificar esses pontos? A realidade é que somente quem vive essas experiências, todos os dias, tem as respostas. Por isso, este mês, damos início ao “De Norte a Sul: percepções sob o olhar delas”, uma série de textos mensais com a visão das embaixadoras sobre os diferentes aspectos da região que representam. 

Para começar, tivemos um bate-papo super bacana com Sônia Bonato, embaixadora representante do Centro-Oeste, que contou um pouco sobre os desafios que percebe no dia a dia. 

“A comercialização de insumos é uma das nossas principais dificuldades, especialmente sendo pequena propriedade. As cooperativas seriam uma boa opção, mas o problema está em todos terem o interesse de comprar. Precisamos das grandes e pequenas propriedades juntas, para adquirir grandes quantidades e baratear os custos”, diz. 
 
Outro desafio é em relação às estradas da região. “As estradas aqui em Goiás e acredito que em boa parte do Centro-Oeste são bem ruins, com muitos trechos sem pavimentação inclusive, o que acaba dificultando o transporte dos produtos para as revendedoras”, relata. 

Sônia também compartilhou alguns aspectos sobre a assistência técnica às fazendas. “Hoje, as empresas oferecem esse auxílio, mas disponibilizam poucos profissionais para muitas propriedades. Então no meu negócio, por exemplo, às vezes perdemos algum tipo de ação na lavoura devido à falta de um agrônomo, de um especialista para nos ajudar com mais agilidade.” 

Não é disputa, é voz! 
A embaixadora defende que, seja nas funções dentro ou fora da porteira, homens e mulheres não precisam disputar, mas sim terem direitos iguais em todos os espaços. Ela ressalta que as mulheres precisam ter mais voz – e essa é outra grande dificuldade que ela ainda nota e vivencia. 

“Queremos mais protagonismo nas instituições. Isso porque a maioria geralmente não opta por mulheres que questionam e se posicionam. Eu, inclusive, já debati com as próprias instituições daqui. Mas acredito que essa mudança pode ser fomentada com o aumento da união e fortalecimento da comunicação dentro do agro. Os profissionais da área precisam conhecer, de fato, o funcionamento das cadeias produtivas, a gestão das fazendas, a vida real do campo. Precisam estar mais próximos de nós, dentro da porteira”, destaca. 

Mudanças positivas também vieram 
É claro que, apesar dos ‘gargalos’ ainda encontrados, muitas evoluções ocorreram e continuam ocorrendo. Segundo Sônia, quando ela e o marido se mudaram para Goiás, em 1995, havia pouca diversidade de produtos nos mercados, poucos produtores, um conhecimento ainda pequeno e um protagonismo feminino escasso. 

“Muita coisa evoluiu nestes quase 30 anos. Hoje, a região é forte na produção de grãos e carne, por exemplo, e os produtores têm buscado se informar, conhecer o que há de novo e incorporar na produção e na gestão do seu negócio. Além disso, também já é possível encontrar com mais facilidade mulheres em cargos de liderança ou à frente de palestras em empresas, nas visitas de campo e tantas outras atividades essenciais”, comenta.  

Para se ter uma ideia desse crescimento e de sua importância, em 2020, ano marcado pela pandemia do coronavírus, o Centro-Oeste representou cerca de 47,5% da produção de grãos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do IBGE, de 2019, em Mato Grosso, por exemplo, a agropecuária responde a 33% dos empregos com carteira assinada. 

Gerar novos dados, divulgar informações e incentivar as trocas entre quem está dentro e fora da porteira são ações fundamentais para modificar e alavancar, cada vez mais, a realidade do agro brasileiro. E é exatamente essa junção que o CNMA proporciona.  

Como incentivo à participação em massa das mulheres que movimentam o País, cada embaixadora possui seu cupom de desconto para as inscrições. As vendas ocorrem por aqui e o cupom para o Centro-Oeste é “SONIABONATO”.