Na abertura do 6º CNMA, Ministra do Reino Unido destaca metas para COP26 e papel do agro brasileiro

25/10/2021

Na abertura do 6º CNMA, Ministra do Reino Unido destaca metas para COP26 e papel do agro brasileiro

Primeira mesa-redonda do evento tratou de Política Internacional e Filantropia

São Paulo, 25 de outubro de 2021 – Na manhã desta segunda, a mesa-redonda “Política Internacional e Filantropia” abriu os debates do 6º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio – CNMA. A Ministra Conselheira da Embaixada do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, falou da agenda programada para a COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que começa no próximo domingo na Escócia, e o papel do Brasil nos debates.

Entre as metas estabelecidas pelo país anfitrião e que serão debatidas entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro destacam-se adaptação, mitigação, financiamento e colaboração. “Quando falamos de adaptação e mitigação, a agenda do uso de tecnologias de produção sustentáveis na revisão do plano de agricultura de baixo carbono são sinalizações muito importantes dos compromissos que o Brasil está fazendo. Esses compromissos dão amparo e contribuem diretamente para o alcance das metas nacionais de redução de emissão de gases poluentes”, detalha Melanie.

Sobre a meta financeira, ela acrescenta que é uma das mais importantes, porque diz respeito à possibilidade de implementação dos planos de desenvolvimento sustentável. “A presidência do Reino Unido na COP26 está comprometida em atuar para colocar 100 bilhões de dólares de financiamento na mesa para apoiar a transição verde nos territórios, além de estarmos engajados em conectar os investidores do setor privado aos programas para o desenvolvimento econômico verde”, assinala.

Para a meta de “colaboração”, Melanie vê que há oportunidades reais de ganhos para o Brasil e seus agricultores. Segundo ela, isso é possível por meio da assistência técnica direcionada, a troca transoceânica de tecnologias, experiências, pesquisas e inovação e, principalmente, por meio do acesso ao mercado regulado de carbono. “Queremos e precisamos da agropecuária conectada e engajada com os debates e negociações que ocorrerão nas próximas semanas na COP26”.

Para o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy, o País é um dos maiores exportadores do mundo de produtos agrícolas e cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo precisam desses produtos. “As mudanças climáticas vão afetar a agricultura, como as secas já afetaram. Precisamos fazer alguma coisa em conjunto e estou muito ansioso para poder trabalhar com o Brasil e com os nossos outros parceiros”.

O compromisso do Brasil em alimentar o mundo

Citando a produção nacional direcionada para o mercado externo, o presidente do Conselho da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Marcello Brito lembrou que as exportações do Brasil para a China, até o primeiro semestre de 2021, foram de 5 bilhões de dólares, valor superior à somatória do que é comercializado para todos os outros países do mundo.

“Isso mostra como temos uma dependência intrínseca da China. Inclusive, até 2030, 60% do consumo da classe média mundial estará na Ásia. Mas precisamos salientar que, apesar disso, as tendências de mercado e a base de todo o financiamento ainda saem dos EUA e da Europa. Isso significa que vivemos num mundo globalizado, no qual em algum momento os braços se encontram em um ponto da cadeia produtiva”.

Por isso, querer taxar cada um de forma diferente, esquecendo que não existem países amigos, mas países de interesse e são os interesses que alimentam socialmente a população, é no mínimo irresponsável, afirma. Brito ainda destaca que a China é um parceiro comercial de altíssima qualidade, como qualquer outro país. “Portanto, não pode haver diferença: é preciso ter profissionalismo no tratamento dos interesses brasileiros, principalmente com alguém do tamanho da China”.

Para apresidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teka Vendramini, é importante ressaltar que o agronegócio do Brasil ainda é formado por 80% de pequenos produtores e que há muito a ser feito para que o nível de tecnificação desse percentual chegue ao mesmo patamar daqueles 20% que participam das exportações.

Para ela, a pandemia foi uma crise transformadora e, após o baque inicial, o agronegócio brasileiro produziu muito e mostrou que tem protocolos firmes que permitiram ao Brasil exportar para o mundo inteiro. “Mas o momento atual está sendo de grandes desafios para o produtor rural, que está produzindo com 30, 40% de aumento de custo e não sabe como vai receber isso lá na frente. Além disso, e citando a colocação do Marcello [Brito], temos essa dependência da China e estamos tendo problemas com a chegada de fertilizantes e outros insumos”.

Mesmo assim, Teka cita que o agronegócio brasileiro “subiu de prateleira” porque a exigência é tão grande em cima dos produtores, que eles precisam fazer uma gestão muito eficiente e sustentável, mostrando para o mundo o trabalho que vem realizando dentro da sua propriedade. “Vamos chegar na COP26 mostrando que estamos produzindo cada vez mais preocupados com a sustentabilidade, nos preparando para atender todas as iniciativas que englobam o ESG e que estamos com vontade. Sem a vontade política e a vontade individual, é muito difícil que tudo isso caminhe”, acredita.

Evento vai até quarta

O segundo dia do CNMA (26/10) terá como foco as lideranças. A programação ter a mesa-redonda “Gestão Sustentável”, com líderes do setor discutindo as práticas de ESG (Environmental, Social and Governance), casos reais, diretrizes e tendências para os produtores que querem alcançar a lucratividade sustentável. Terá ainda a mesa-redonda “Liderança de Valor”, com a proposta de discutir um modelo de líder que se posicione diante de causas importantes, que se importe com o futuro da humanidade, e que trabalhe por resultado, mas valorizando o seu time.

O evento contará ainda com o 4º Prêmio Mulheres do Agro, promovido pela Bayer em parceria com a ABAG. O Prêmio reconhece a importância das mulheres do agro e reforça que a atuação seja cada vez maior e mais eficiente, por isso visa promover histórias de produtoras rurais que atuam na gestão das propriedades e contribuir para a igualdade de gênero no Brasil.

“Apesar de estarmos novamente online, essa edição é diferente, pautada pela esperança de tempos melhores, de retomada da economia e de estarmos novamente todos juntos em breve. Eu me lembro de que no primeiro CNMA nós recebemos trezentas mulheres e hoje estão aqui conosco, virtualmente, duas mil e quinhentas! Isso é impressionante e nos deixa muito felizes”, afirma o diretor geral do Transamerica Expo Center, Alexandre Marcílio.